De que lado você está? Psicologia e Análise do Comportamento 01/03/2024

De que lado você está?

“A ciência é mais importante do que a prática”, disse o cientista descolado da realidade.

“A prática é mais importante do que a ciência”, disse o profissional que pouco se importa com evidências.

De qual lado você está?

O que eu posso te dizer é que bom você fugir de qualquer um desses extremos. A ciência e a prática precisam caminhar lado a lado, caso contrário, teremos uma prática não fundamentada cientificamente e uma ciência inútil para as demandas sociais mais urgentes.

É claro que nós temos profissionais com diferentes tempos de dedicação em cada uma dessas áreas. Na psicologia, podemos dizer que existem os pesquisadores e os psicoterapeutas (você pode elencar uma série de outras funções, mas vamos nos concentrar nessas duas aqui). Enquanto os pesquisadores dedicam boa parte de seu tempo para entender os princípios do comportamento humano, os psicoterapeutas buscam auxiliar as pessoas em processos de mudança de comportamentos e de vida.

Aqui você já deve ter percebido a necessidade gigantesca de comunicação entre esses dois profissionais, não é?! E essa comunicação se torna ainda mais necessária quando estamos falando de condições mais complexas como o autismo (daqui para frente, TEA).

Imagine só:

Um pesquisador do comportamento humano começa a se interessar pelo desenvolvimento de técnicas para alterar o comportamento de pessoas com TEA. Ele busca nos principais livros de experimentos em psicologia quais são os melhores delineamentos experimentais para trabalhar manejar o comportamento que ele quer estudar. Depois disso, ele identificou que o principal delineamento para validar o efeito de suas manipulações era um delineamento de reversão comumente chamado de ABAB.

“A” representa uma condição de linha de base, em que o pesquisador apenas observa o comportamento ocorrendo, sem realizar qualquer manipulação. “B” representa uma condição de teste, em que manipulações são realizadas (i.e., extinção, reforçamento diferencial, punição, etc.). Assim, o pesquisador consegue comparar o que a pessoa fazia sem a intervenção dele com como ela passou a se comportar após a sua intervenção.

Mas, lembre-se que o delineamento é de reversão. Ou seja, ele precisa reverter as fases do estudo. Isso ocorre da seguinte maneira: a pessoa passa pela primeira condição A, depois vai para a condição B. Em seguida, o pesquisador retira a manipulação que tinha realizado, levando a pessoa novamente para a condição A. E, por fim, retorna a intervenção trazendo novamente a pessoa para a condição B.

Se os resultados obtidos na primeira junção A-B são replicados na segunda junção A-B, pode-se dizer que as variáveis manipuladas pelo pesquisador foram, de fato, as causas das mudanças no comportamento da pessoa estudada.

Lindo, não?! É mais ou menos assim que muitos princípios do comportamento são estudados e testados em laboratório.

Continuando…

Agora, pense que esse pesquisador vai publicar seus resultados e vai dizer que a forma mais segura de dizer que uma intervenção é de fato responsável pela mudança no comportamento de uma pessoa é por meio de delineamentos de reversão. Tudo que não demonstra essa causalidade é apenas uma hipótese de resultado e não deveria ser divulgado como algo seguro.

Do outro lado, um psicólogo pega esse artigo para ler e começa a rir (de nervoso). Ele, que trabalha todo dia com crianças com TEA, sabe que podem existir comportamentos de alto risco para a vida de algumas crianças. Então, em muitos casos, não há espaço para a retirada de intervenções. Pense: uma criança que bate sua cabeça com muita força na parede. A psicóloga dela começa a avaliar a situação e realiza 4 tipos de intervenções ao mesmo tempo, para tentar fazer com que esse comportamento pare. A criança parou! Você acha que vale a pena tirar essas intervenções “somente para ter certeza se elas foram as responsáveis pela cessão desses comportamentos”? E se você tirar, a criança voltar a bater e sofrer graves lesões?

Por saber disso, o psicólogo que estava rindo do texto joga o artigo em uma gaveta e começa a consumir cada vez menos a literatura científica, pois ela acaba não representando o que acontece no dia a dia.

E, pronto! Acabamos de criar a muralha entre quem está na pesquisa e quem está na prestação de serviços. Sabe quem perde com isso? Todos nós!

Isso tem saída. E, modéstia parte, nós construímos o seu caminho até lá.

Quando um pesquisador começa a conversar com psicólogos, ele começa a entender a realidade de trabalho deles. Quando um psicólogo começa a estudar princípios científicos do comportamento, ele começa desenvolver um raciocínio preciosos para a sua prática.

É exatamente aqui que a nossa Pós-Graduação em Análise do Comportamento Aplicada ao TEA e aos Transtornos do Desenvolvimento se Encaixa. Nela, profissionais que atuam com TEA entram em contato com um corpo docente composto por pesquisadores e profissionais que atuam lá na ponta, obtendo uma visão ampla de como a ciência pode auxiliar a sua prática profissional e como novas perguntas científicas podem ser formuladas a partir do dia a dia de trabalho.

Para você ter uma ideia, existe uma disciplina específica de Delineamentos Experimentais. Nela, os alunos desenvolvem habilidades para entender como pesquisas são formuladas, quais delineamentos podem ajudar a fundamentar a prática profissional e a como identificar na literatura aqui que, de fato, ajudará no dia a dia.

Nossa pós não quer formar só a parte científica ou só a parte profissional. Ela prepara os alunos para intervir no mundo por meio de um raciocínio científico bem formulado.

Afinal:

“A prática deve se basear na ciência e a ciência deve ser útil para a prática”, disse o cientista preocupado com as demandas do mundo e o profissional que olha para o mundo por meio de um raciocínio científico.

Venha conhecer a nossa pós!

Pós Graduação Análise do Comportamento Aplicada (ABA) a Transtornos de Desenvolvimento e do Espectro Autista (TEA) - Instituto Continuum

Dr. André Connor de Méo Luiz

Coordenador Acadêmico - Instituto Continuum

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